Babel

Minha missãoÉ “incorrer em tautologias”Nasci erradaUso mantras diariamentePor necessidade e prazerNão sei olhar no espelhoQue não seja para ver as rugasQue escalam os fossos do cérebroO azul me enervaPosto que é cor que não se soubePor muito tempoSe uso óculosNão é para melhorar a visãoToda a gente já nasce enxergandoMas esqueceMinhas mãos não me entregamContinuar lendo “Babel”

Catedral

Há tempos atrásSonhei para nós doisUma gótica catedralDe pedras firmesE torres bem altasPara delirarmosA ilusão da eternidade Mas ervas daninhasProliferaram  nas cabeçasDos gárgulasE no fim dos temposO que restouFoi nada Até nos esbarrarmosNa velha cidadeSob o leitoDa madrugada VanessaeVanessa

Apenas de poesia

Se eu pudesseViveria só de poesiaEncarnada na belezaE na crueldade do sutilLargaria os delírios erradosAs planilhas sem vidaOs contratos que amarramA burocracia construída Pois amanheci desejando mergulharNo que revelam aqueles olhosFoi por pouco que não te disse,Não sei bem de que maneira,Que devias ser meu, por que não Amanheci querendo o brilho dos girassóisDos quadrosContinuar lendo “Apenas de poesia”

As quatro estações cariocas

A Primavera Chegada é a PrimaveraSe uirapuru ou sabiá que a saúda, que importaCorrentezas aninham-se aos ventos que celebram pássarosE as águas correm aliviando o doce calor carioca Uma tempestade se anuncia no horizonte marítimoTrovões levantam as ondas e alegram meninosAo seu fim, retornam as andorinhas ao ArpoadorE distribuem hipnóticos cantos sob o céu azulContinuar lendo “As quatro estações cariocas”

O universo das coisas não publicadas

Sento-me diante delaA quem costumamos nomear vidaE à rosa subsiste seu nome Deixo de lado cetro e vaidadeAcomodo-me em seu sítio forteOnde trono é tronco de árvore Ela me solicita despir-meAbandonar os livros e a razãoPara ouvir o que grita Recolho os meus sentidos e os vaziosMeus demônios dizemQue talvez não valha a pena UmaContinuar lendo “O universo das coisas não publicadas”