Babel

Minha missãoÉ “incorrer em tautologias”Nasci erradaUso mantras diariamentePor necessidade e prazerNão sei olhar no espelhoQue não seja para ver as rugasQue escalam os fossos do cérebroO azul me enervaPosto que é cor que não se soubePor muito tempoSe uso óculosNão é para melhorar a visãoToda a gente já nasce enxergandoMas esqueceMinhas mãos não me entregam... Continuar Lendo →

Catedral

Há tempos atrásSonhei para nós doisUma gótica catedralDe pedras firmesE torres bem altasPara delirarmosA ilusão da eternidadeMas ervas daninhasProliferaram  nas cabeçasDos gárgulasE no fim dos temposO que restouFoi nadaAté nos esbarrarmosNa velha cidadeSob o leitoDa madrugadaVanessaeVanessa

Apenas de poesia

Se eu pudesseViveria só de poesiaEncarnada na belezaE na crueldade do sutilLargaria os delírios erradosAs planilhas sem vidaOs contratos que amarramA burocracia construídaPois amanheci desejando mergulharNo que revelam aqueles olhosFoi por pouco que não te disse,Não sei bem de que maneira,Que devias ser meu, por que nãoAmanheci querendo o brilho dos girassóisDos quadros de Van... Continuar Lendo →

As quatro estações cariocas

A PrimaveraChegada é a PrimaveraSe uirapuru ou sabiá que a saúda, que importaCorrentezas aninham-se aos ventos que celebram pássarosE as águas correm aliviando o doce calor cariocaUma tempestade se anuncia no horizonte marítimoTrovões levantam as ondas e alegram meninosAo seu fim, retornam as andorinhas ao ArpoadorE distribuem hipnóticos cantos sob o céu azulNeste cenário de... Continuar Lendo →

O universo das coisas não publicadas

Sento-me diante delaA quem costumamos nomear vidaE à rosa subsiste seu nomeDeixo de lado cetro e vaidadeAcomodo-me em seu sítio forteOnde trono é tronco de árvoreEla me solicita despir-meAbandonar os livros e a razãoPara ouvir o que gritaRecolho os meus sentidos e os vaziosMeus demônios dizemQue talvez não valha a penaUma nudez com pena da... Continuar Lendo →

Tema clássico

Escorre meu coraçãoAtravés de um adagioA chuva rememoraO frio da infânciaEra um naufrágio de névoaCobrindo as montanhasE cheiro de avó na cozinhaPreparando a refeiçãoEscorre e apertaRespira e se elevaAo solo terrosoAo que esperaDe um desejo novoAtravessa a partituraE cria, o coração,LiteraturaA chuva insisteMas acalenta quenturaDa companhiaDos poetas na estanteEstou repletaCompleta de mim mesmaO frio traz... Continuar Lendo →

País tropical

Moro num país tropicalAbençoado e maltratadoHá no parlamentoAsquerosos mal dotadosDe intelecto e amorLadrões por toda parteE boa parte da genteDá jeitinho em tudoPura arte?Corrompem-se por bem poucoE suas fraquezas esfaqueiamAs potências do outroDizem que todo mundoTem seu preçoJá me ofereçam tudo:Cargo, dinheiroNo dia a diaTentam me comprarCom vaidade, desejoMas eu prefiro as árvoresMoro num país... Continuar Lendo →

Phoenix, um poema

Para Sergio Roberto de OliveiraDe tudo renascemos – Anunciou-se!Do pó viemos ao pó retornaremosPara dele, reerguermos sonhos – não muros,No ciclo eterno de vida renovadaTeu corpo é de cada humano – Alvorada!Tua dor quem sente é o mundoPelos fios da linguagem universalEmoção-salDe corpo água-forteRespirar não é maisQue impermanência e sorteE, de repente, a morteE o... Continuar Lendo →

Derradeiro

Ante o imponderávelParo e sintoQue mistérios ligamOs meus sentidosAo infinitoPensar alturas não é só para poetasA vida tem asas e abismosPairando no tempo o espaço abertoRasga um coraçãoDerramamentosFosse meu corpo um cetroEu o traria agora para mimDono de si-realeza-internaCavalheiro de cor marfimAnte o impossívelParo e observoO antes improvávelTorna-se certoQue de noite seja diaPorque nãoQue o... Continuar Lendo →

Um cisne em voo solo – carta para Stefania

Querida Stefania,espero que esteja tudo bem por aí. Por aqui teremos que aprender a conviver com a sua partida. Porque a vida segue em todos nós. Em você também, porque acredito que tudo é uma coisa só, vivemos em espirais do tempo e do espaço. Neste momento, estamos apenas em dimensões diferentes da existência. Logo,... Continuar Lendo →

Imoral e física

Sou fagulha de solNa direção do improvávelTudo o que imaginoRealizoE minha aura radiante paiolVeste túnicas de cetim sanguíneoHá que se considerar que,Afoita,Jamais manseioE que, carregada de arpejos,Não me entrego a qualquer fatoHoje, avalio ontemRepensoEstratégia me fazO tempo me ensinou a ser selvagemE a catarse dos momentosA manter foco em arteSou arma de forte na entrada... Continuar Lendo →

Carta a quem interessar

Não me importam as tuas narrativasMas o que dizem as entrelinhasAs fotos que publicasOs poemas que recordasAs músicas que gostasNão me dizem nadaNão sou fã das aparênciasProcuro o que escapa no teu gestoA significância do que mostrasE o desejo por trás de tuas apostasNão me interessamA voz bandida ou de anjoSe tu te achas do... Continuar Lendo →

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