Ano: 2011
poesia abelhuda
desconfio que é preciso brincar
e dançar
recorto minha vida, faço mosaicos
pinto de vermelho o que era branco
e algo me tenta a descolorir os verdes, azuis,
as cores de fruta, o inexistente
para deixá-los mostrar novas cores
não gostaria de ser mais do que uma abelha
e polinizar
vago é o meu espaço
uma rima pobre com teu nome
ele deixa brechas
pois, do contrário, não escaparia
me calo e me despeço
sou o meio
o que não quer ter nome
sou o que deseja tirar as palavras de quem
ao dizer, dirias nada
é preferível que não falem
é preferível que não vivam
a viver pela metade
melodia desastrosa essa que sai de mim
sou interferência
calo
receita encontrada num papelote azul em fevereiro
amar o tempo
gostar das passagens
libertar-se nos finais
gosto quando acaba o carnaval!
tão perto
o horizonte nunca sai do lugar
para amá-lo é preciso não ser
escrevo
escrevo
como quem de repente acha graça e ri
como a onda que cresce com a mudança do vento
e a excitação do momento primeiro
mas, sobretudo, escrevo com a paixão pelas imensidões
o que é pequeno me adoece
como ostra, fixo no fundo
até que a correnteza me dê pistas para onde ir
e sempre vou, em direção àquilo que não posso medir
sou peixe, ave, veleiro
nado longas distâncias
vôo e deslizo
se há janelas, mantenho-as abertas
se há um pôr do sol, morro de amor
se há altura, deliro
se há o mar,
é lá que estou
