celebremos!

só o desejo é definitivamente o que arrebata
um tesão doido de viver
e de enlouquecer a lucidez cotidiana do rebanho!

viva a diferença!

eu amo com o corpo
eu sinto com o pensamento
eu gozo com as palavras,
a lida, a dita, a cantada, a que escapa

eu transpiro com os risos

vivas a morte da moral!
eu desejo e isso não é nietzschiano.
isso é vida!

desejo uma doçura interminável,
mas apenas até onde esbarro no limiar do doce
e cedo lugar a pimenta de olhar nos olhos da vida e dizer:
foda-se!

em 22 de julho de 2009

série forças – a água

ela faz a vida ao abraçar o mundo todo
é a mais vermelha das coisas sem cor
imprevisível, porém certeira
colchão para chegar mais perto das estrelas
espelho do céu, fonte de poesia
colcha que guarda o inimaginável
uma vida que de tão profunda
nos chega apenas um sussurro
estrada para sonhadores, trabalhadores,
viajantes e horizontes
estrada perigosa
fúria que mantém a dança do universo
corpo que explode e esbraveja
e chega ondulado na terra…

série forças – a rocha

estou
eu, a meditar sob a rocha
ela, parte de mim
tolerante e paciente
a resistência do mundo
o que persiste no tempo e conta todas as histórias
aquela que guarda portões sagrados
e os mistérios das idades da Terra
sua fala é de anciã
rocha-mãe que abriga e acolhe
e endurece o que deve ser endurecido
casa para toda diversidade de seres
que dela se alimentam para o seu sono
pois ela nunca dorme
e diz mais quando tudo se aquieta e escurece

alegria

sou líquida
derreto…
consumo o sabor da vida
e me enlouqueço de viver

com você, com o mundo, a água e as estrelas
a alegria me enebria deliciosamente

acordo
e tudo é uma grande novidade
e psicodelia

algo renasce, nasce?
algo nasceu em mim
e não cabe mais em mim

escorre, inunda o mundo
explode tudo que mata
destrói cada palavra que fere
atinge a tudo que sufoca e apequena
aos deploráveis egoístas

a alegria é uma grande arma
lutemos!

quem com a vida e o desejo
briga incessantemente
morre…

e mata

sendo incapaz de suportar o riso
a cor, o brilho de quem vive o mundo
como um grande quintal

eu, líquida

uma vontade de me fundir com a pedra
para receber a água
uma tal hipnose
que me leva a querer ser uma só com a água
sê-la

lançar-me e me tornar amorfa

mas a correnteza me impede…

essa junção, esse som, esse não pedir passagem
simplesmente porque ela tem que passar

esse nomadismo todo me faz querer não ser cada vez mais
apenas transitar

carregando a maravilhosa indiferença da natureza
o desprezo certo de quem não conhece nomes ou dualidades
o humor necessário daquilo que
mesmo na desgraça, ri