Móbile

DançoE quando não dançome lanço Retomo dois, três, quatro passosSeparo cinco, seis, sete cantosE reparo De um lado a outro me deslocoCaminho lado a ladoE enganoMe engano Sou reflexoSom de ecoMe debatoMe carrego Sou de ferroE de açoTambém refaço Sou de ventoE de águaMe entregoAfogo mágoa Sou exataPor alguns segundosAntes de uma nova rajada VanessaeVanessa

Água

Caem como estrelas no horizonte da noiteEntregam-se como loucos apaixonadosGolpeiam, tomando para si tudo o que desejamE mesmo quando não desejamCorróem, diluem, esbravejam Rastejam como bichos famintosViolentam como doentes terminaisCarregam, levando tudo o que se moveE mesmo o que não se moveDesvelam, desnivelam, retomam E minha dor vem como um refluxoRemexeFlutua como bolha de sabãoNoContinuar lendo “Água”

Do efêmero infinito

Sou uma “pensatriz” do disformePorque não concebo idéia e históriaMas a possibilidade do impossível Sou o que pensa e desconstrói o pensamentoAtivista do momento eternoE manifestante da não-teatralidade Sou o que existe e seu opostoE mais ainda, o que não se concebeUma força que emana dúvidaE suga a luz do mundo Sou mais…O que seContinuar lendo “Do efêmero infinito”

quando o mundo nasceu

todos esses magníficos sons ao luar…sem muita explicação eu amavae como amava o ser celestialque, de tanto rir, me encantavaeu vivia para este encantamentonaquele tempo em que as floresainda viviam pela terranaquele tempo em que o mundo,de uma explosão,fez-se esplendorosa profusão de cores e olfatosquanto então toda a vida gritoue transformou o conceito de silêncioContinuar lendo “quando o mundo nasceu”

A fome

Tenho fome.De tudo aquilo que me tira o ar.Desejo comer os meus problemas para digeri-los….Desejo comer a própria fome,e também a raiva, a angústia.Devorar a dor.Essa dor de perda.Uma dor de nada.Desejo mastigá-los, um a um,o desespero,os detestáveis e desprezíveis homens que insistem em permanecer,as famigeradas verdades que proclamamos em palanquessob bandeiras moralistas. Eu odeioContinuar lendo “A fome”