I Ching – um poema para tempos ruidosos

recolher-se em si
aquietar-se

é tempo de lapidar os diamantes
na sala escura dos homens, distante

para uma luz brilhar
sem ferir os olhos
é necessário um trabalho árduo

sensível, cauteloso
por vezes, solitário

nada sabemos do que somos
enquanto tudo proclamamos como sábios

no poço fundo, caem nossas verdades

para o florescimento
é preciso devoção!

para o renascimento,
a observação

retirar-se
momentaneamente
para reorganizar-se

é tempo de balanço!
para que seja triunfal
a descida da montanha

move-se o universo em favor
quando uma estrela se enche de luz
internamente

virá, no exato momento,
do fundo do poço,
do abismo da alma-corpo,
aquela que mata a sede

por isso, o agora
é o tempo da reforma,
da obra de revestir-se
para a transformação íntima

e não se pode utilizar um poço
enquanto ele está sendo revestido

este trabalho, no entanto, não é em vão
graças a ele, a água permanece límpida

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