o meu amor não tem garras
ele escorrega no que ama
Tag: Poesia
o mundo é redondo e gira
o que existe do outro lado não existe
porque lado é algo que a vida desconhece
muito menos eu que procuro as curvas
o mundo é redondo, ousou pronunciar Galileu,
ou no mínimo sem lados,
e até hoje há muito mais quem o veja
plano e quadrado
Filosofia prática
isso vai dar pano pra manga…
teçamos um sobretudo
alegria
sou líquida
derreto…
consumo o sabor da vida
e me enlouqueço de viver
com você, com o mundo, a água e as estrelas
a alegria me enebria deliciosamente
acordo
e tudo é uma grande novidade
e psicodelia
algo renasce, nasce?
algo nasceu em mim
e não cabe mais em mim
escorre, inunda o mundo
explode tudo que mata
destrói cada palavra que fere
atinge a tudo que sufoca e apequena
aos deploráveis egoístas
a alegria é uma grande arma
lutemos!
quem com a vida e o desejo
briga incessantemente
morre…
e mata
sendo incapaz de suportar o riso
a cor, o brilho de quem vive o mundo
como um grande quintal
Questão de arte
a sorte faz piada com a nossa cara
enquanto o azar é sempre uma possibilidade
morrer pode ser daqui a pouco
viver é questão de arte
eu, líquida
uma vontade de me fundir com a pedra
para receber a água
uma tal hipnose
que me leva a querer ser uma só com a água
sê-la
lançar-me e me tornar amorfa
mas a correnteza me impede…
essa junção, esse som, esse não pedir passagem
simplesmente porque ela tem que passar
esse nomadismo todo me faz querer não ser cada vez mais
apenas transitar
carregando a maravilhosa indiferença da natureza
o desprezo certo de quem não conhece nomes ou dualidades
o humor necessário daquilo que
mesmo na desgraça, ri
To david
The cameleon is coming
Let´s scream!
Homenagem aos tatuís
existe um mundo que é maior que a vida
onde dançam partículas que nada mais são
que a possibilidade e o acontecimento
ainda que maior que a vida
há vida nesse mundo como há água na terra
há forças maiores que nossas vontades cotidianas
porque elas dizem um desejo mais sutil
uma percepção mais fina, um sentir mais aguçado
porque repleto daquela sensação de ver um pôr do sol
que você tem certeza que é o mais belo que já viu
e ninguém pode te dizer que não
aquela sensação de não saber o quê
aquele prazer em não ser e não entender
o barco segue
a vida é sempre maior que o barco
as andorinhas permanecem migrando
os holofotes mantém as cidades acordadas
apagam e acendem no movimento de sempre
pois a luz não importa sem a escuridão
as tartarugas vão nos dizendo da vida como as árvores
e nada mais importa que não seja a alegria
dessa toda amada Terra que reluz azul
que gira bailando
que abre os olhos a cada dia a noite
para sempre ver por perspectivas diferentes:
de sol, de lua, de neblina, de tempestades
o cheiro da alfazema ecoa
damas da noite invadem a moral
e os tatuís…
ah sim, esses seres tão pequenos
nos ensinam muito da grandeza da vida
do movimento do mundo
eles sempre encontram um lar…
em qualquer areia fazem sua casa
de martin de sá
cais
um dia vou me lançar ao mar como coisa arremessada
e ai de quem tentar me segurar
irei carregada por uma força não mais temerosa
não incompreendida mais
nesse dia brilhará um céu muito azul,
manta que cobrirá uma revoada de pássaros migrantes
e haverá festas por toda a cidade
bebedeiras, fanfarras, fantasias
música pra todo lado…
não pode nunca faltar a música
e quando todos estiverem em comunhão
sairei de mansinho não querendo ser notada
vestindo apenas uma roupa colorida
e um chapéu de marinheiro
levando uma mala cheia de saudades futuras,
subirei ao cais e partirei
apenas o céu saberá com seus olhos luminosos
o que estará prestes a acontecer
ele será meu guia, amigo e confidente
céu dos papéis que levarei e das garrafas mensageiras
partirei assim,
como partiram naus catarinetas,
navios vikings e piratas
e toda a diversidade de criaturas
que sentem o ar rarefeito da terra



