arte de viver

era um delírio quente
que me ardia a madrugada
de seiva bruta açucarada

escorria na água do chuveiro
como engrenagem tátil
encaixada no corpo retrátil
da celulose que se tramava
para escrever um novo livro

a tinta era de vinho
e diziam, tinha até sangue,
aquele cheiro tórrido da última noite de verão…
tinha alfazema e lírio
tinha o delírio do suco de desejo enrolado no edredom
e o ar frio que já começa a querer deixar seu rastro
e aproximar os corpos

e era mórbido…
porque havia morte também
e nascia um elemento estranho
como que fazendo graça na minha frente
pra dizer: esquece
faz tempo a tua aurora tem mais coragem
que a coragem vazia de quem ama as tempestades
apenas nas pinturas das paredes

a arte é pra quem vive

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: